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[ o céu em nós ] a profundidade que já existe em você

Foto do escritor: marcelaperrote
marcelaperrote
5 de out.
5 min de leitura
O CÉU EM NÓS
O CÉU EM NÓS

O Sol está atravessando uma porta conhecida no Human Design como o Poço da Sabedoria.


É uma energia que nos aproxima da profundidade — daquilo que não se revela imediatamente e que precisa ser experimentado, observado e compreendido ao longo do tempo.


Essa frequência está conectada a um centro energético que nos acorda em instinto. É uma estrutura que evoca nosso senso de sobrevivência, e por isso, é fundalmentalmente sobre o corpo.


Essa porta carrega consigo uma percepção bastante humana: o medo de não saber o suficiente. De não estar preparado. De não ter os recursos necessários para lidar com aquilo que a vida apresenta.


Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que ainda não sabemos e transformar essa sensação em uma identidade, num estado permanente.


Quando o medo de não saber assume o comando, podemos passar muito tempo acumulando informações, estudando, procurando respostas e esperando aquele momento em que finalmente estaremos prontos. Nós ou o outro. Nós ou a vida. Emperramos diante do poço com medo de saltar ao desconhecido, naquilo que julgamos desconhecer.


E aí é quando podemos nos equivocar e deixar de confiar na sabedoria que já foi construída pela experiência.


Essa frequência age como um poço: um lugar profundo onde a experiência vai se acumulando e, com o tempo, se transforma em sabedoria. Ele guarda aquilo que foi observado, experimentado, corrigido e refinado ao longo do caminho — conhecimentos que nem sempre conseguimos explicar imediatamente, mas que podem estar disponíveis quando chega o momento certo de acessá-los.


Durante este trânsito, podemos perceber uma tendência maior a buscar soluções que partam de um conhecimento mais profundo, em vez de respostas rápidas ou superficiais. Há uma espécie de reconhecimento silencioso de que muitas das respostas que procuramos já começaram a se formar em nós, a partir daquilo que vivemos, aprendemos e observamos.


Essa não é uma energia necessariamente imediata ou chamativa. Ela atua mais como um pano de fundo, trazendo um olhar mais atento para a qualidade das coisas. Podemos ficar mais criteriosos, percebendo com maior clareza o que realmente funciona, o que precisa ser aprimorado e o que apenas parece funcionar porque é conveniente.


É como se a vida nos convidasse a olhar um pouco mais fundo antes de aceitar uma resposta:

Isso realmente atende ao que é necessário? Ou apenas oferece uma solução rápida para aquilo que está pedindo mais profundidade?


Esse discernimento também pode aparecer nas escolhas, nos processos, nas relações e na maneira como organizamos a própria vida. O que tem consistência tende a ganhar valor. O que é apenas superficial pode perder o encanto.


É onde aprofundamos para direcionar com mais qualidade e refinamento a nossa ação e coerência pelo mundo.



Você pode perceber esse movimento de alguma maneira nos próximos dias

Pode surgir uma necessidade maior de compreender, investigar, organizar ou encontrar a resposta certa antes de seguir adiante. E isso pode ser muito fértil quando nasce da curiosidade e do envolvimento real - segundo sua autoridade e estratégia.


Mas vale observar quando a busca por conhecimento e informação deixa de ampliar sua experiência e começa a ser uma tentativa de eliminar a incerteza, ou te prende em nós mentais sem fim.


A sabedoria desta ativação não está em saber tudo. Ela nasce quando aquilo que aprendemos deixa de ser apenas informação e passa a fazer parte da nossa maneira de estar no mundo.


Experiência também é conhecimento. Presença é manifestação. Ação coerente é movimento.

E talvez essa seja uma das perguntas mais interessantes deste trânsito: o que você já sabe, mas ainda não reconhece como sabedoria?


Observe nos próximos dias

Onde, na sua vida, você sente que precisa saber mais antes de se permitir avançar? Existe algum conhecimento que você vem acumulando, mas que talvez esteja pedindo para ser vivido e apresentado na prática? Quando você percebe que não sabe alguma coisa, consegue permanecer presente diante dessa sensação ou imediatamente tenta preenchê-la com mais informação, controle ou preparação?

E se aquilo que você já viveu, percebeu e aprendeu fosse mais valioso do que você costuma reconhecer?


Uma pequena experiência

Escolha alguma situação em que você esteja sentindo que precisa “estar mais preparado” neste momento. Antes de buscar uma nova resposta, pare por alguns instantes e observe o que já existe em você: O que você sabe? O que você já viveu? O que seu corpo reconhece, mesmo que sua mente ainda não consiga explicar completamente? Respire nesse corpo, nessa presença. Permita a sua sabedoria vir a tona. Esse poço de sabedoria está gravado em seu corpo, que ancora também seu conhecimento ancestral.


Nem toda sabedoria chega como uma conclusão. Às vezes, ela aparece como uma sensação de familiaridade ou uma compreensão que foi sendo construída aos poucos.



Observação em tempo real

O mesmo trânsito pode ser vivido de maneiras diferentes dependendo da relação que esse portal ativa em seu próprio desenho. Primeiramente, observe se você tem a porta 48 ativada no seu gráfico de corpo humano, e se é consciente, ou inconsciente, ou não está ativada.


Ainda não conhece o seu gráfico? Faça gratuitamente aqui.




  • Se o Portal 48 for o seu Sol consciente

Este Portal faz parte da própria expressão do seu propósito consciente. A profundidade, a investigação e a busca por compreender o que está por trás das coisas podem ocupar um lugar importante na maneira como você se realiza e se reconhece. Observe, porém, se a profundidade está sendo vivida como curiosidade e presença ou como uma exigência de saber cada vez mais para sentir que está preparado. Talvez exista uma sabedoria importante em perceber que você não precisa conhecer todas as respostas para confiar naquilo que já sabe.


  • Se o Portal 48 estiver definido no seu mapa

Aqui, essa energia faz parte da sua definição e pode estar disponível de maneira consistente, mas não necessariamente representa o eixo central do seu propósito consciente. Observe como essa profundidade se manifesta em diferentes áreas da sua vida. Onde você naturalmente busca compreender, investigar ou ir além da superfície? Também pode ser interessante perceber como essa qualidade complementa outras partes do seu desenho. Aquilo que você aprende e vivencia pode se tornar um recurso importante para expressar o propósito trazido pelo seu Sol consciente.


  • Se o Portal 48 não estiver definido no seu mapa

Você pode experimentar essa energia de maneira mais transitória durante a passagem do Sol por este Portal. Talvez surja uma percepção maior sobre aquilo que você sabe, aquilo que ainda não sabe e sobre a maneira como lida com essa diferença. Pode sentir uma insegurança maior diante daquilo que não sabe. Observe o que este trânsito revela. Onde aparece o medo de não ser suficiente? Onde surge uma curiosidade genuína? O que a sua própria experiência está ensinando?



Para levar com você

Nesta passagem talvez você não precise procurar uma resposta nova. Talvez você não precise temer não saber o suficiente. Talvez possa apenas olhar com mais profundidade para aquilo que a própria vida já lhe ensinou. Talvez você precise reservar pequenos minutos diários para mergulhar em si mesmo, sentir o próprio corpo.


E reconhecer que sabedoria não é saber tudo.

É saber o que fazer com aquilo que a vida já nos ensinou.


É acessar em seu corpo, na sua vivência, na sua estrutura ancestral...tudo aquilo que você já sabe e já tem de recursos para atravessar.


Aprofundei esse diálogo em forma de audiocast na Colmeia, faça parte para costurarmos ainda mais essa prosa.


Com amor, Marcela


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